terça-feira, 31 de janeiro de 2012

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Eles pensaram em tudo! Comprando o vestido, tem que comprar o sapato do mesmo tom, que combina com a bolsa, que fica lindo com o cintinho de couro que realça a cintura. Com o celular novo surge a necessidade vital de uma capinha nova, e o fone daquela cor da moda. Se comprar carro, tem que vir com o som de última geração, o seguro. É uma cadeia que te prende por todos os lados, não há escapatória. Se for consumista, tem que comprar marcas para mostrar; se for contra, anti-marcas para provar. Ninguém fica de fora, nem pobre, nem rico, nem médio. Todos são obrigados a gastar; ter dinheiro para tanto é apenas um detalhe. Dívidas são agora um mal necessário. A urgência de encaixe numa das tribos sociais é lavada às últimas consequências, e falhar é algo inadmissível. A vida está nos outdoors, ou, pelo menos, o que é imposto que ela seja: todos lindos, felizes e combinando, mãe e pai sarados, crianças loiras de dentes brancos. "Quer ganhar dinheiro?", "mudar de vida?" "investir?" A sociedade oferece todos os estímulos para o sucesso, mas nenhum consolo para o fracasso. No entanto, para o mecanismo social atual tudo é possível. E o ciclo não para. É a podridão do mundo mostrando suas garras alcançando mais um lugar. E ninguém está imune.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.

É sincero quando digo que desejo amor pra todo mundo. Até porque não existe nenhum motivo que me faça mentir sobre isso. É preciso amar, é preciso ser feliz. As vezes me pego pensando, sozinha, em quando amor eu dou... e vejo que ainda tenho tanto pra dar!
É óbvio que a forma de amor mais procurada é o amor dos contos de fadas, das poesias... Mas qualquer amor é válido. Mesmo. Por isso ame sem pensar, ame o que te faz bem, ame o sol que invade a sua janela de manhã, o sorriso das crianças, o cheirinho de bolo de chocolate assando no final da tarde. Ame sem desejar nada em troca, sem vaidade. Se preencha de amor sem precisar de mais ninguém. Ame seus amigos, sua família, seus sonhos. E depois, com sorte, ame seu amor, seu verdadeiro amor, com todas as forças. E deixe que esse te transborde.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Muito

Odeio ser assim, odeio tudo isso que acontece dentro de mim. Odeio saber das coisas, ter sentimentos tão fortes em relação a tudo, sejam esses bons, ruins, terríveis. É impressionante como se tem que mudar, se adaptar, ser dura. Li certa vez que você nunca sabe o tamanho da sua força até que sua única alternativa é ser forte. absurdamente forte. Por maior que seja a dor no mundo, seus problemas são sempre os mais nefastos e devastadores. E os meus estão me consumindo, me virando do avesso. A angústia aumenta a cada batida do coração, a cada minuto do dia desperdiçado E não acaba nunca. Viver é muito perigoso mesmo...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bobeirinhas

Fácil é falar que ama alguém quando está tudo bem. Quando se está perto, debaixo das cobertas, vendo um filme água com açúcar e dando uns amassos. Você acha que ama alguém quando pensa nele sempre, quando sente aquele frio na barriga quando reencontra. As borboletas no estômago. Você acha que ama alguém quando não pensa em nenhum outro, quer beijar a toda hora. Já você tem certeza de que ama alguém quando se torna absurdo ter um momento feliz sem ele. Não que não se possa ter momentos felizes em separado. É mais que isso. É poder ser feliz sozinha sim, mas no sorriso que se está vestindo, querer sempre a participação dele. Querer que ele sinta a mesma alegria que você, com você. É não fazer questão de nada, só de uma lembrança linda. É querer beijar o mesmo beijo, abraçar o mesmo abraço, amar o mesmo amor, cada vez maior, para sempre. Se tem certeza de que ama quando se está longe podendo estar longe, mas querendo estar perto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

máscara

Ser rico é ter como esconder a tristeza. Ter meios de enfeitar a podridão que há dentro de todo mundo. Não existem pessoas boas e ruins, felizes e tristes. O que existe é um monte de gente igual, mas que reage a tudo de maneira diferente. É possível ser feliz e triste junto. Ser bom e ruim. Mas uma coisa é certa: é impossível ser pobre o rico ao mesmo tempo. E é quando a diferença entre os mortais começa. O rico esconde a tristeza e o medo e a maldade atrás de grades e vidros blindados. Esconde a rejeição com uma bolsa da moda e uma maquiagem bem feita. Nada é tão triste e nefasto que não possa ser embelezado com um sapato de marca, um cabelo macio e um carro moderno. E o pobre? A diferença é a tristeza escancarada, sem aparos, artifícios. É conviver todos os dias com a cara lavada do desespero que habita todos os corações humanos. É um bando de criancinhas felizes e tristes dormindo nas ruas, boas quando dá e más quando podem. Ser rico é fácil. O pobre sofre. Mas um ajuda o outro. Não existe rico sem pobre, assim como não existe o feio sem o bonito, a capa de revista sem a vizinha sem sal. Os pobres fazem os ricos parecerem mais felizes, e os ricos fazem dos pobres, mais verdadeiros. Não se gosta de pobre porque o mundo é covarde e não consegue olhar nos olhos da verdadeira merda que é, da merda e do nada que são todas as pessoas. Todo mundo é igual, é caveira, pó, carne, osso, sofrimento.