Sempre quis abraçar o mundo todo com meus e só meus braços, e desde pequena ouço os mesmos conselhos e repreensões. Agradar a todos, me meter em tudo, tentar ajudar. E as vezes (na maioria delas), essa minha ânsia, meu descontrole com tudo o que é dionisíaco só atrapalha. A questão é que não dá pra fazer tudo, a vida é feita de escolhas , e no fim, se você não for sua prioridade pode ser que não seja a de mais ninguém.
Pode parecer egoísta, mas me colocar em primeiro plano é algo que estou aprendendo a fazer com mais frequência (sem nunca, é claro, prejudicar outrem). Essa história de a vida ter suas mortes já deu pra mim, já morri demais por quem não merecia nem um enjoo. Agora é minha vez,não dá mais pra sofrer com coisas que não dependem de mim para mudar. Quem quiser andar comigo é muito bem-vindo, mas ao meu lado e não a minha frente. E vamos juntos ser felizes.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
não dá.
Rostos manchados escondem a mentira
Escondem a raiva, esbravejam
Nos embaçados não há tristeza, ira
Ainda que ali estejam
Feições em máscaras perdem sentimento
que antes escancarados
são agora no íntimo enterrados
E caem e rolam e endurecem no esquecimento
Difícil é a percepção de que além
Das ruins, as boas coisas também não são vistas
Amor, felicidade, amém!
Até fogem as que só cabem aos artistas
Fácil assim torna-se a visão
De que a vida tem volume, mas não equalização
E importa mais o que?
Não será encarar o que vier sem perguntar o porquê?
Ser triste e feliz, sentir ambos iguais (mas também a paz)
Ou ser nada de uma vez, apático, sem alma ou emoção
Que porque os olhos não vêem não afeta o coração
Imune ao branco, ao preto ao amarelo e lilás?
Escondem a raiva, esbravejam
Nos embaçados não há tristeza, ira
Ainda que ali estejam
Feições em máscaras perdem sentimento
que antes escancarados
são agora no íntimo enterrados
E caem e rolam e endurecem no esquecimento
Difícil é a percepção de que além
Das ruins, as boas coisas também não são vistas
Amor, felicidade, amém!
Até fogem as que só cabem aos artistas
Fácil assim torna-se a visão
De que a vida tem volume, mas não equalização
E importa mais o que?
Não será encarar o que vier sem perguntar o porquê?
Ser triste e feliz, sentir ambos iguais (mas também a paz)
Ou ser nada de uma vez, apático, sem alma ou emoção
Que porque os olhos não vêem não afeta o coração
Imune ao branco, ao preto ao amarelo e lilás?
domingo, 4 de dezembro de 2011
Qual é o problema da felicidade?
Nunca vi ninguém escrever bem quando está feliz; escrever com propriedade, com beleza. Não dá. A inspiração nasce da tristeza, da indignação. A felicidade é egoísta, quer tudo para si, para seu alvo, seu motivo de ser feliz. Quem está feliz só escreve o superficial, a felicidade é genérica, eu te amo, blábláblá...
Quem é triste é profundo, é mais racional. Ser triste é elegante. Ninguém pergunta sem parar o motivo de sua tristeza por aí, já a felicidade é escancarada. E depois o silêncio. Se o ócio é a oficina do diabo, a tristeza é a oficina das ideias... E não deveria ser assim. E quem quer escrever e ser feliz ao mesmo tempo? Se todos tem direito à felicidade, todos os escritores tem o direito à inspiração, estando tristes ou não.
Está tudo errado, quem deveria ditar a vida é a felicidade. Infelizmente, tristeza, raiva e indignação são os motivos de revoluções, vitórias, triunfos. A felicidade não leva a lugar nenhum. Mas é tão bom ser feliz! Seu eu pudesse escolher, largaria a caneta em troca daquela felicidade que eu sempre sonhei, que conquistei, e que perdi.
Quem é triste é profundo, é mais racional. Ser triste é elegante. Ninguém pergunta sem parar o motivo de sua tristeza por aí, já a felicidade é escancarada. E depois o silêncio. Se o ócio é a oficina do diabo, a tristeza é a oficina das ideias... E não deveria ser assim. E quem quer escrever e ser feliz ao mesmo tempo? Se todos tem direito à felicidade, todos os escritores tem o direito à inspiração, estando tristes ou não.
Está tudo errado, quem deveria ditar a vida é a felicidade. Infelizmente, tristeza, raiva e indignação são os motivos de revoluções, vitórias, triunfos. A felicidade não leva a lugar nenhum. Mas é tão bom ser feliz! Seu eu pudesse escolher, largaria a caneta em troca daquela felicidade que eu sempre sonhei, que conquistei, e que perdi.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Do outro lado do rio
O que há do outro lado rio?
A felicidade completa, o triunfo do poeta
Ou só mais um lugar vazio,
O que há do outro lado do rio...
O que há do outro lado do rio?
Mais uma aventura errante, um momento, um instante
Que depois deixe tudo no vazio?
O que há do outro lado do rio...
Quem sabe um lugar que valha tanto a pena...
Ou será que uma fornalha,
Ou será que uma vida amena...
A felicidade completa, o triunfo do poeta
Ou só mais um lugar vazio,
O que há do outro lado do rio...
O que há do outro lado do rio?
Mais uma aventura errante, um momento, um instante
Que depois deixe tudo no vazio?
O que há do outro lado do rio...
Quem sabe um lugar que valha tanto a pena...
Ou será que uma fornalha,
Ou será que uma vida amena...
Os dois lados dessa balança
Não gosto de pensar no futuro. Tem alguma coisa nele que me assusta de verdade.
É impossível saber se esse medo vem das coisas que são sabidas, como o fato de que todos nós morreremos, o mundo vai esquentar, talvez acababar, as florestas se extinguirão (assim como as pessoas boas), ou se o medo vem das coisas que não se sabe como serão. Infelizmente, a balança hoje pende mais para esse lado, pelo menos para a maioria das pessoas.
Infelizmente sim, porque a morte é algo inevitável, então nos isentamos de sua culpa; a primeira opção contém as coisas que não dependem de ninguém para acontecer, as pessoas podem apenas acelerá-las. Já o segundo lado da brincadeira está recheado de coisas que dependem sim da gente, coisas que podemos mudar, controlar.
O assustador é isso: não se sabe se vai estar vivo amanhã, ou paraplégico, ou órfão, mas também não dá pra prever se estaremos mais gordos, na faculdade, menos infelizes, separados... Por isso é bom pensar no presente. Nunca foram muito confiáveis as pessoas que vivem fazendo mil planos e esquecem de viver... Que segurança se tem? E outra, pensar no presente é menos sofrível, mais leve. Passado e futuro são um problema, sempre foram. Mais uma coisa é certa: não se pode mudar o passado, e apesar de o futuro ser mais flexível e aceitar mudanças, essas serão construídas com as ações e decisões do tempo presente, então pensar no hoje é o melhor a se fazer. O passado não tem mais volta, e o futuro ainda não chegou. Cada dia é uma nova oportunidade de recomeçar. Faça isso hoje.
É impossível saber se esse medo vem das coisas que são sabidas, como o fato de que todos nós morreremos, o mundo vai esquentar, talvez acababar, as florestas se extinguirão (assim como as pessoas boas), ou se o medo vem das coisas que não se sabe como serão. Infelizmente, a balança hoje pende mais para esse lado, pelo menos para a maioria das pessoas.
Infelizmente sim, porque a morte é algo inevitável, então nos isentamos de sua culpa; a primeira opção contém as coisas que não dependem de ninguém para acontecer, as pessoas podem apenas acelerá-las. Já o segundo lado da brincadeira está recheado de coisas que dependem sim da gente, coisas que podemos mudar, controlar.
O assustador é isso: não se sabe se vai estar vivo amanhã, ou paraplégico, ou órfão, mas também não dá pra prever se estaremos mais gordos, na faculdade, menos infelizes, separados... Por isso é bom pensar no presente. Nunca foram muito confiáveis as pessoas que vivem fazendo mil planos e esquecem de viver... Que segurança se tem? E outra, pensar no presente é menos sofrível, mais leve. Passado e futuro são um problema, sempre foram. Mais uma coisa é certa: não se pode mudar o passado, e apesar de o futuro ser mais flexível e aceitar mudanças, essas serão construídas com as ações e decisões do tempo presente, então pensar no hoje é o melhor a se fazer. O passado não tem mais volta, e o futuro ainda não chegou. Cada dia é uma nova oportunidade de recomeçar. Faça isso hoje.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Piscar de olhos
Eu te amo. As luzes se acendem, o despertador toca, a chaleira apita, tudo silêncio. Buzinas, barulho, as pupilas dilatam... Apaguei as luzes? O suor corre, a lágrima não sabe se vai ou fica, a alegria sufoca, tic-tac, os músculos contraem, as mão, trêmulas, esquecem de si, os olhos vêem mas não enxergam, câmera lenta. Onde estou? A cabeça roda, entreguei o trabalho? Tudo muito rápido, é possível sentir seu perfume, meu perfume aquele perfume, todos os perfumes. Deixei o recado? Desliguei o fogo? As borboletas invadem o estômago, os pés, antes em ponta, perdem o equilíbrio. As mãos se lembram, agora apertam, não largam, se agarram pra não cair, os pelos se arrepiam, desarrepiam, o peito quer explodir, o sentimento é novo; felicidade. Também te amo.
tic-tac
Bota o relógio para despertar
Nada a fazer você tem
Não se pode contra a corrente nadar
É necessário obediência para se viver bem
Mas quem foi que disse o que é o bem viver?
Quem foi que disse que a corrente tem que seguir pra esse lado?
Somos nós quem decidimos por quem matar... Ou morrer
São eles, nós ou ninguém fazendo tudo errado?
Quem foi que disse então o que devemos viver?
Quem foi que disse porque devemos esperar?
Quem foi que disse de quem é preciso se esconder?
Quem foi que disse então não valer a pena lutar?
Dizem querer mudança, dizem ter esperança
Se nada foi feito, sou eu quem deito em vão
Quem espera sempre alcança
Sou só eu pra dizer não
Mas quem espera além
Se vê obrigado a colocar
Ajoelhando, dizendo amém, mais um noite
Um relógio para despertar
Nada a fazer você tem
Não se pode contra a corrente nadar
É necessário obediência para se viver bem
Mas quem foi que disse o que é o bem viver?
Quem foi que disse que a corrente tem que seguir pra esse lado?
Somos nós quem decidimos por quem matar... Ou morrer
São eles, nós ou ninguém fazendo tudo errado?
Quem foi que disse então o que devemos viver?
Quem foi que disse porque devemos esperar?
Quem foi que disse de quem é preciso se esconder?
Quem foi que disse então não valer a pena lutar?
Dizem querer mudança, dizem ter esperança
Se nada foi feito, sou eu quem deito em vão
Quem espera sempre alcança
Sou só eu pra dizer não
Mas quem espera além
Se vê obrigado a colocar
Ajoelhando, dizendo amém, mais um noite
Um relógio para despertar
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