quinta-feira, 26 de julho de 2012

alguém tem que dizer

Não estou aqui para causar polêmica, e até hoje vinha evitando ao máximo falar sobre coisas que poderiam causar indisposição entre mim e quem me lê. O que acontece é que tem certas ocasiões nas nossas vidas que nos vemos obrigados expressar nossa opinião. Falarei portanto de um assunto que talvez me arrependa depois, mas viver é aceitar os riscos.
Em primeiro lugar, eu respeito todas elas e acho que tem muita coisa bonita no... ... ... catolicismo, islamismo, judaísmo, candomblé... Na verdade, o que pega não é a religião, são os religiosos. É a bitolação total e completa que toma conta do cérebro de quem a coloca em primeiro lugar.
Não sou perita em teologia, mas uma coisa é clara pra mim: a Igreja foi criada para confortar a população, para explicar aos pobres o que os governantes nunca foram capazes de explicar. Não é que eu não acredite em Deus. É bem mais simples do que isso (apesar de poder parecer mais pecaminoso e ofensivo para os fanáticos): eu simplesmente não acredito na instituição Igreja; pendo para o cristianismo porque é aquele que faz parte da minha realidade, mas a mesma regra se aplica para a Meca, o Centro espírita, os Terreiros, etc.
Tenho um lado espiritual independente de qualquer coisa, como todo mundo.Ou sou muito ingênua ou completamente pirada, mas simplesmente não entra na minha cabeça um Deus que mata, que pune cruelmente, que obriga pessoas a se ajoelharem diante dele. Na minha cabeça não tem espaço para acreditar, aceitar um Deus todo poderoso lá em cima que vê milhares de crianças morrendo de fome, milhares de inocentes baleados no tráfico, crianças, mulheres e idosos explodindo em nome de uma guerra que eles não compraram. Onde estava esse Deus onipotente no holocausto? Esse deus pai de Jesus, esperado pelos judeus. Onde é que estava essa onipotência na escravidão, nos casos de pedofilia, na corrupção, na Inquisição (que de santa nunca teve nada)?
Olha, ou esse Deus que vocês pintam é sádico, ou não tem poder algum e está sofrendo de lá de cima como eu, ou simplesmente não existe! Porque pra mim não existe um Deus bom que permita uma mãe doar o dinheiro do leite do filho para que a Igreja construa ao papa seu trono de ouro com pedras preciosas combinando com a coroa. Na minha cabeça não tem lugar para essa força boa e justa decretar que homens são superiores às mulheres, que seres humanos e animais devem ser sacrificados.
A Bíblia, o Corão, o Torá, são histórias belíssimas, há de se admitir. E eu acredito na magia, até posso entender o fascínio que tais contos podem causar nos mortais que muitas vezes não tem a que se não à fé para se agarrar, outra mentira.
O que eu acho da religião é diferente do que eu acho de Deus, que por sua vez é completamente diferente dos meus sentimentos em relação à Igreja, que, convenhamos, é a criação humana mais inteligente de todos os tempos para arrancar dinheiro do povo, mais do que os impostos e ligações para o BBB.
Essa alienação que decora as orações, ao inés de senti-las.
Pode ser que ser a favor do aborto, da legalização da maconha, da igualdade entre os sexos, raças, dos métodos contraceptivos e do sexo só por prazer seja pecado. Pode ser que exista um inferno bem quente e um Diabo à minha espera. Todavia, se tudo for verdade, se Céu, Inferno e Purgatório não forem só fruto da imaginação aterrorizada de Dante, das duas uma: ou descobriremos que o Deus que vocês tanto ovacionam não é tão bom assim, e eu queimarei no fogo do inferno como muitos e muitos e muitos, ou que seu Deus é bom, e vai me perdoar por ter duvidado dele, afinal eu não seria a primeira. Por que ninguém me mostra um milagre? Por enquanto, eu não tenho nada a perder.

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