terça-feira, 29 de novembro de 2011

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Morreria feliz neste instante, apresar de ter medo da morte, porque sei que fiz tudo o que estava ao meu alcance para ser feliz. Tirei proveito de cada situação, boa ou ruim, arranquei de cada lágrima uma lição, e de cada pessoa, o seu melhor.
Apaixono-me facilmente, por tudo, mas não me entrego tão fácil assim, mesmo com as pessoas se tornando tão deliciosamente tentadoras quando querem alguma coisa.. Mas com certeza vou ficando cada dia mais apaixonada por ele, pela vida, por sorvete, pelos meus amigos, pela música que me transborda quando sorrio, pela gargalhada das crianças.
Continuo vivendo mesmo sendo rotulada e não reclamo: ser reprimida me proporciona o prazer e a vontade de ser tão versátil quanto se pode ser, obrigando as pessoas a me encaixarem em mais de uma embalagem.
Sou chorona e muito emotiva sim, mas me deixar feliz não é difícil, e quem já o fez sabe bem como é e está convidado a tentar mais uma vez. Tente, contudo, de outra forma, pois se repetir é ser inseguro e inovação é o que move o mundo.
Morreria feliz neste instante, apesar de sentir medo da morte, porque sei que mesmo querendo poder voltar no tempo e desfazer alguns erros, foram eles que me transformaram em quem eu sou hoje, foram eles que me fazem acordar cada dia querendo ser uma pessoa melhor, por mim e por você. Morreria feliz porque tenho as melhores pessoas do mundo do meu lado, sei que tudo valeu a pena e sei que nada, nem ninguém, me apaga da memória de quem realmente importa.

24hrs

E lá se vão os dias: ligeiros, apressados, atrasados, pra mais vinte e quatro horas e mais vinte e quatro horas e mais vinte e quatro horas de trabalho duro.
Mas quase nunca passam por passar. O problema é a rapidez. O problema é a adaptação. Como fazer tudo caber em vinte e quatro horas? O sono, o lazer, a escola, aquela conversa gostosa com a amiga no telefone, o trabalho de geografia, o inglês, o cineminha com o namorado, as compras com a mãe... Simples. Deixando pra amanhã. Empurrando com a barriga. Nas vinte e quatro horas anteriores são feitas as coisas boas, e as ruins e chatas são passadas para as horas que virão. E... Nunca é o suficiente. É preciso tempo, ora bolas! Tempo pra pensar na resposta da prova, para escrever aquele e-mail, para justificar a falta, para marcar presença, para pedir desculpas. Haja tempo, paciência. Haja hoje p/ tanto hontem, assim como já disse Leminski, que, apressado (ou atrasado) nem escreveu o "para" inteiro. Ele abreviou, assim como, hoje em dia, faz-se. Se abreviam cada vez mais as coisas, pela falta de ontem, pela falta de hoje. Não são abreviadas somente palavras, são sorrisos, abraços, gestos, sentimentos, conversas. São abreviados aquele pulo bombástico na piscina por um mergulho, o esmalte vermelho por uma base, o cabelo solto por um rabo-de-cavalo apressado e amigos verdadeiros por muitos e muitos colegas inconversáveis na rede. É a vida sendo abreviada por fim, para assim se ganhar tempo para não fazer nada.

Fragmentos

Em caixas de vidro alardeiam passado e presente com palmas, calmas
Mãos, talvez um mal maior, que atenda por futuro, destino
Mas para isso basta um turbante na cabeça errante, colorido
E eu aturo, pelo tino, atino.
Vidradas são as tardes, alardes vazios,
São bigodes, separados a meio fio, rio
Terás esquecido-o em outro lugar? ... Atacar!
Bigodes, barbichas, boinas, armas, carmas
Nos são oferecidos na bandeja, cabeças
Na prataria esverdeada da vida, querida
Resta o que de nefasto tem... Heróis de mentirinha.
Após suicídios, assassinatos, fugas, mundo em rugas,
Ruínas,
Espadas, granadas, carnificinas.
Esquecidas com milagroso líquido turvo, me curvo
No cume, rotulado em vermelho cor de sangue... Derramado.
Na letra amarela, em pedidos codificados, serão recados?
Nos seus altos e baixos, me abaixo, salto,
Salgo palitos.
Rejuvenescem as faces envelhecidas,
Esquecem, não recordam mais dores vividas;
Mas perenes são as marcas deixadas com o fruto da pena,
Uma pena!
Molhada em tinta que fere, grita, mata, a faca!
Cata restos na lombada, cata restos na esquina...
Mamãe!
O que foi feito? Bem feito!
Trâmites seguros, escusos, escuros
Dólares... Perdidos... Esquecidos
Bolsas que caem, cores atraem
Em letra maiúscula, minúsculos cérebros
Bala, belo, bola ou balão?
Engraçam-se com balelas alheias, sereias
Escamas em chamas no passado remoto: de ontem
(perdi o controle!)
E de resto? Atesto: NADA.